quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Levy perde de novo, e Temer se afasta mais de Dilma



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A confusão desta terça (8), a enésima na crise político-econômica de 2015, pode ser resumida numa sentença dupla: Joaquim Levy encarnou mais uma derrota anunciada do governo Dilma Rousseff, e Michel Temer deu mais um passo para longe de sua chefe.

Depois do imbróglio datentativa frustrada de recriar a CPMF e de ter de recuar seu Orçamento “sincero” e deficitário, o governo se vê novamente enrolado para desfazer o mal-estar de uma proposta para tentar achar uma saída para o lado econômico da crise.

Desta vez, o próprio ministro da Fazenda vocalizou uma das discussões em curso no governo, a do aumento no Imposto de Renda como fonte robusta de arrecadação para ajudar a combater a crise.

Se foi por ingenuidade, autoconfiança ou sinceridade inspirada por ares europeus não se sabe, mas o ministro falou o nome do Tinhoso dentro da igreja na hora da missa.

Empresário nenhum quer ouvir falar em aumento de imposto, ainda que ele seja considerado inevitável dentro do plano para entregar ao mercado uma meta fiscal factível.

Politicamente, a situação é muito delicada para Dilma, já que o apoio que o governo ainda tem no empresariado é um dos últimos esteios de sustentação de sua gestão.

Tanto é assim que recuou do Orçamento deficitário após ser pressionada diretamente por chefões do PIB, preocupados com os efeitos negativos da perspectiva “oficial” de que a situação fiscal do país não irá melhorar.

O vice-presidente Temer (PMDB), por sua vez, também se viu obrigado da modular o discurso após ouvir empresários e os dois capitães do Congresso, seus correligionários Eduardo Cunha (Câmara) e Renan Calheiros (Senado).

Temer havia começado o dia se preparando para levar para o jantar com governadores e líderes do PMDB a proposta deaumento da Cide só para, após conversar com Dilma, dar declarações calculadas nas quais antagonizou a chefe.

Na segunda (7), em discurso na internet, Dilma falara em“remédios amargos” para a crise; Temer rechaçou o uso dos mesmos, usando exatamente as mesmas palavras. Simbolismo é tudo em política.

O que está em curso é um cabo de guerra múltiplo. Todos sabem que sem aumento de imposto e cortes não existe como o governo fazer superavit fiscal ano que vem; a dosagem e os limites de cada coisa são objeto da disputa.

Com Temer alinhado ao PMDB e aos empresários, contudo, mais um passo foi dado na narrativa da crise de 2015.

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