Em entrevista ao próprio jornal Tribuna do Norte, o ex-governador Iberê Ferreira, acusado de envolvimento em um possível escândalo em seu governo, por favorecimento, falou sobre o caso. Confira a entrevista na íntegra:
Como o senhor responde às suspeitas de favorecimento levantadas pelo atual governo?
Primeiro eu quero dizer que fiquei indignado com essas insinuações levianas e irresponsáveis que foram feitas pelo Governo do Estado. O governo está querendo mostrar serviço, está emparedado, sem diálogo, sem projetos, sem ideias, e aí tem usado ao longo desses meses o retrovisor. O governo coloca como se eu fosse devedor relapso do banco e eu queria começar dizendo que eu não tenho dívida com o Bandern. Eu era avalista de uma empresa cujo título foi executado, protestado, e recebi na minha casa um oficial de justiça me intimando para dentro de um prazo estabelecido pela justiça pagar, depositar ou dar bens à penhora do valor desse título que estava sendo executado. Dentro do prazo estipulado pela justiça eu fui fazer o pagamento. Foi lavrado o termo de penhora e eu tenho em mãos cópia do depósito judicial à vista, que foi devidamente autenticado. O depósito foi em dinheiro. Eu fiz perante à justiça lá de Brasília, onde eu morava à época. De lá para cá, até hoje, eu nunca mais recebi nenhum memorando, aviso, enfim, nada do banco e nem de lugar nenhum. Eu paguei aquilo que estavam me cobrando, fiz o depósito judicial, e o assunto estava liquidado, tanto é que faz 23 anos, e eu continuo tirando todas as certidões que são necessárias para candidaturas, para compra de apartamento, até hoje nunca constou nada.
O governo alega que o banco de Brasília respondeu que não havia fundos…
Eu fiz o depósito no banco de Brasília e somente a própria justiça é que pode mexer nesse dinheiro. Eu acho que o governo tinha que fazer, ao invés de irresponsavelmente suspeitar que eu tirei o dinheiro, ir atrás desses valores. Se o banco de Brasília foi liquidado, eles deviam saber que quando liquida um banco os depósitos judiciais vão para outro banco. Então caberia a eles terem mandado procurar, porque esse depósito não é vento que vai embora. Isso é dinheiro que está lá até hoje. Se eles não tiraram, está lá até hoje. E o governo conta com meu apoio para mandar procurar, mandar ir atrás, o que for preciso e o que for possível.
E sobre o suposto acordo que resultou na extinção do processo?
Eu não fiz acordo nenhum, eu paguei. Primeiro porque eu não era o devedor, eu era o avalista, então eu não tinha nem como fazer acordo. Acordo eu nunca tomei conhecimento, nunca assinei coisa nenhuma e não tenho o menor conhecimento. Se ele foi feito na época em que eu era governador é preciso que fique bem claro que eu exerci durante nove meses o cargo, eu não era fiscal de empresa pública ou de economia mista do estado. E se tiver alguma coisa mal feita neste período, que eu não tenha tomado conhecimento, dou total e integral apoio ao governo para apurar.
O senhor não firmou acordo homologado pela Justiça?
Absolutamente. Pelo menos por mim não. Na minha percepção, ao depositar judicialmente o valor, era só dar baixa no processo, uma vez que a dívida estava quitada.
Mas o processo continuou.
[O advogado do ex-governador interrompe: "O governo deixou o processo correr esse tempo todo e quando chegou a uns anos atrás a justiça começou a encaminhar ofício para o banco, que nunca respondeu nada. E aí depois veio esse pedido de encerrar o processo face um acordo. E o juiz deu a sentença]. [Iberê continua] Eu não fiz acordo, eu fiz o pagamento. Isso há 23 anos atrás.
Tem nos autos um pedido para extinção do processo.
[o advogado fala: Não tinha resposta do Banco de Brasília e aí surgiu essa petição (requerendo a extinção do feito face o acordo) e doutor Iberê não sabe nem do que se trata].
Quem comunicou o acordo e pediu a extinção?
[Advogado: Carlos Frederico, advogado do Bandern].
Pretende tomar alguma medida face a denúncia?
Pretendo. Apenas vou me resguardar. E eu quero dizer mais: se tem casos que não foram pagos o governo pode mandar apurar que eu estou solidário a ele.