O presidente da
Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo
(PSL-GO), bateram boca nesta terça-feira (21).
Antes de encerrar
reunião com líderes partidários, Maia afirmou que tem sido alvo de ataques
constantes do governo e de seu líder na Câmara, e que havia excluído o deputado
de suas relações pessoais.
“Fui atacado e por
isso exclui ele das minhas relações pessoais”, disse Maia, segundo líderes que
participaram do encontro.
De acordo com
relatos, o presidente da Câmara disse que, antes de encerrar a reunião,
precisava expor um fato que havia ocorrido há alguns meses.
O presidente se
referia a um episódio de março, em que o líder do governo criticou Maia e a
“velha política”. Na ocasião, o deputado enviou para correligionários postagens
sobre supostas negociações de cargos nos governos Michel Temer (MDB) e Dilma
Rousseff (PT) em troca do apoio do Congresso.
A primeira mensagem
resgatava reportagem do jornal O Globo de novembro de 2017, cujo título é “Para
aprovar mudanças na Previdência, Temer autoriza Maia a negociar cargos”.
A segunda é uma
charge que ironizava o diálogo do governo Dilma com o Congresso. Na imagem, a
ex-presidente leva ao Congresso um pacote de cargos para garantir as conversas.
Na época, as
mensagens chegaram ao grupo do presidente da Câmara, que entendeu como ataque.
A relação entre os dois é tensa, e deputados dizem que o líder não é recebido
por Maia há meses.
Vítor Hugo reagiu
dizendo que as críticas nunca foram pessoais e que a mensagem foi tirada de
contexto e que diversas vezes tentou buscar o contato com maia para estabelecer
uma relação republicana.
“Não pretendo ser
amigo de vossa excelência. A crítica pública que eu fiz e repito aqui foi uma
crítica construtiva”, afirmou.
O líder criticou
ainda o fato de Maia reunir parte de líderes na residência oficial e disse que
o presidente não quis “abrir as portas” para ele.
Maia reagiu: “Se o deputado
considera que diálogo é um pacote de dinheiro, me desculpe”.
A discussão
aconteceu durante reunião de líderes da Câmara que discutia a pauta da semana
na Casa. O governo precisa aprovar ao menos três medidas provisórias nesta
semana para evitar que elas percam validade.
A mais importante
delas é a MP 870, que reestrutura a Esplanada dos Ministérios. Caso ela não
seja aprovada até o dia 3 de junho nas duas Casas do Legislativo, o número de
pastas saltará para 29.
O centrão concordou
em votar a medida provisória e o líder do PP, Arthur Lira (AL) propôs que a
votação fosse feita nominalmente.
O PSL tinha
intenção de fazer esse requerimento para constranger deputados do centro a
votarem pela manutenção do Coaf no ministério da Justiça. Os líderes da maioria,
no entanto, decidiram peitar a estratégia do governo e dizem ter votos para
mudar o órgão para a Economia.